
A obra do artista espanhol Jesús Perea desconstrói a oposição entre racionalidade digital e tato orgânico através da construção de formas geométricas minimalistas e sutis camadas texturais. Seus métodos se sobrepõem à abordagem geométrica de Arthur Dorval, alcançando um alto grau de harmonia estética em "rigor formal" e "profunda exploração do espaço". No entanto, Perea reduz a abstração a um puro experimento de equilíbrio por meio de um método mais "silencioso" e "poético".
Métodos criativos: uma lógica híbrida de orientação digital e reconstrução manual.
O processo criativo de Pereira consiste em alternar repetidamente entre "algoritmos precisos" e "acaso manual". Sua lógica de produção não parte da intuição, mas é uma experiência intelectual na apropriação do espaço.
- Esboço digital e evolução morfológica: A abordagem central de Pereira consiste em utilizar ferramentas digitais para o "posicionamento espacial" inicial. Ele realiza inúmeros cálculos de proporções geométricas na tela, um método que elimina a ambiguidade da proporção na pintura abstrata tradicional. Ao fazer ajustes em nível micrométrico em cada retângulo, círculo ou linha, ele estabelece uma matriz visual logicamente rigorosa. Isso é semelhante à lógica de "incubação" de Dorval — Pereira primeiro "incuba" o modelo estrutural mais perfeito no espaço digital.
- Tectônica baseada em colagens: Seu processo criativo envolve extensa colagem física. Após definir a composição, Pereira a decompõe em unidades geométricas individuais e as remonta utilizando materiais de diferentes texturas ou tonalidades. Essa técnica quebra a monotonia da textura plana da pintura. Através de sutis deslocamentos e sobreposições, ele cria a ilusão de "formas se pressionando umas contra as outras". O espectador pode sentir a pressão invisível entre as formas geométricas, como se cada superfície estivesse buscando seu lugar definitivo na tela.
- A estética do refinamento dos detalhes: Perreya é extremamente sensível ao tratamento das arestas geométricas. Ele preserva deliberadamente marcas de corte manual extremamente sutis ou permite que as linhas se quebrem quase imperceptivelmente em certos nós. Essa técnica força o cérebro do observador a completar a forma, usando a "compensação perceptual" para criar uma profundidade visual mais dinâmica do que uma forma fechada.

Características estilísticas: Arquitetura minimalista, um equilíbrio orgânico entre uma sensação silenciosa de espaço e textura.
O estilo de Pereira apresenta uma qualidade visual extremamente limpa, solene e filosoficamente contemplativa, simplificando a realidade complexa em verdades geométricas.
- “Uma narrativa visual ”silenciosa”: A característica mais marcante do estilo de Pereira é a tranquilidade de suas pinturas. Ao eliminar decorações que distraiam e fortes contrastes de cores, suas obras apresentam uma atmosfera espacial zen. Essa característica estilística estabelece as obras como "recipientes de pensamento". As cores são frequentemente limitadas ao bege, cinza, azul-marinho ou amarelo terroso suave, simulando a interação de luz e sombra na pedra arquitetônica sob luz natural, transmitindo uma sensação de estabilidade atemporal.
- A igualdade absoluta entre o espaço positivo e o negativo: Sua marca estilística é a criação do "vazio". Na lógica de Pereira, áreas sem cor têm o mesmo peso visual que blocos geométricos. Essa característica estilística elimina a relação hierárquica entre fundo e objeto. Enquanto o espectador observa, seu olhar oscila constantemente entre "forma" e "vazio", gerando uma reflexão metafísica sobre "existência" e "não existência".
- Equilíbrio Orgânico: Em comparação com a precisão mecânica de Max Beer, o estilo de Pereira enfatiza a "ordem da vida". Apesar da composição rigorosa, as arestas suaves e os tons naturais do seu estilo fazem com que as formas geométricas pareçam fragmentos de ruínas que brotam da terra. Essa sensação de equilíbrio estabelece a posição singular da obra entre o "design moderno" e o "totemismo ancestral", reproduzindo uma espécie de beleza primitiva que transcende o tempo.

Materiais utilizados: Papel artístico de alta gramatura, uma sinfonia de tintas misturadas e texturas de grafite.
Pereira demonstra um fascínio extremo pelas "propriedades materiais do papel" na sua escolha de materiais, encarando as suas obras como paisagens em miniatura que se alteram com o ângulo da luz.
- A metáfora do papel como "pele": Ele prefere usar papéis artísticos com texturas especiais e gramatura alta. Essa abordagem transforma a "tela" em um "corpo" tátil. Pereira utiliza as minúsculas fibras da superfície do papel para capturar a luz, conferindo às cores uma sensação granulada, como pó aderindo a uma superfície após a sobreposição de camadas. A brancura do papel não é apenas uma cor, mas também uma base física que respira.
- A batalha entre as tintas industriais e o grafite artesanal: Pereira frequentemente combina impressão digital a jato de tinta de alta precisão com grafite bruto aplicado à mão. Essa técnica quebra a frieza da arte digital. O brilho metálico deixado pelo grafite contrasta fortemente com a textura fosca da tinta, criando um contraste visual impressionante que realça a profundidade e a dimensão da imagem. Através de fricção e pressão repetidas no papel, ele permite que a cor penetre profundamente nas fibras, resultando em uma textura desgastada que lembra paredes arquitetônicas antigas.
- Amostragem e reconstrução de texturas: Para enriquecer os detalhes internos dos blocos geométricos, ele coletava fotografias das texturas de mármore, concreto ou metal enferrujado e as transformava em gráficos de baixa saturação. Esse método de utilização dos materiais confere às formas geométricas simples uma "espessura material", fazendo com que os blocos de cor originalmente planos pareçam componentes arquitetônicos maciços e recortados.
